Enfield é conhecido por ser um dos casos de Poltergeist mais bem documentados da história. Os eventos sobrenaturais vivenciados pela família Hodgson são amplamente relatados em filmes e séries. Guy Lyon Playfair, foi um dos pesquisadores do caso. Ele esteve envolvido praticamente desde o início dos eventos e lançou o livro ” 1977 – Enfield ” publicado pela Darkside Books.

A Caveirinha, como boa fã de terror convidou a nós do Skull Geek e mais 3 blogs parceiros da editora para uma entrevista exclusiva com o autor. Então, para todos os fãs do sobrenatural, senta que vem coisa boa aí.

1. Em toda a sua carreira em contato com o paranormal e lendo relatos passados de outros investigadores e estudiosos, o senhor pôde observar mudanças expressivas no fenômeno de uma assombração de um poltergeist ao decorrer dos séculos? Digo isso, pois no seu livro, usa a expressão de “assombração moderna” para o caso Enfield. De 1970 para cá, novas assombrações de poltergeists ganharam características inéditas?

A palavra “poltergeist” foi utilizada pela primeira vez no século XVI por Martin Luther, mas só passou a ser empregada no inglês nos anos 1840. Temos registros bem detalhados de atividades de poltergeists desde então, a maioria vem da Alemanha, e apesar das características dos fenômenos não terem mudado muito, eles ainda são ignorados pela ciência convencional apesar das inúmeras evidências. 

2. É seguro afirmar que o caso de Enfield foi o mais impressionante que o senhor se deparou em toda a sua carreira? Houve alguma outra assombração que você investigou que foi ainda mais forte e agressiva que a de Enfield?

Enfield foi a minha experiência mais extensa e intensa – muito embora alguns dos casos investigados por Hernani Guimarães Andrade em São Paulo tenham sido mais destrutivos, chegando até mesmo a consumir a residência em um incêndio.

3. No começo do livro, o senhor relata todos os estranhos acontecimentos que cercaram a vida de Maurice Grosse antes do contato de vocês com a família Hodgson. Antes, durante e após o caso de Enfield, o senhor foi afetado diretamente pela assombração enquanto afastado do epicentro dos acontecimentos?

Não, de forma alguma. Maurice teve um interesse pessoal muito maior nesse caso por conta da morte da filha dele (que também se chamava Janet). Parece que algumas coisas estranhas aconteceram a ele depois, mas a mim não. 

4. Qual foi a situação mais complicada que você passou durante os eventos de Enfield? Em algum momento pensou em abandonar o caso?

A ocasião mais desconcertante foi quando Janet afirmou ter viajado pela parede para a casa ao lado, onde não havia ninguém na época. Pode soar improvável, mas encontramos um livro dela no quarto de cima da casa vizinha, onde ela nunca havia estado antes. Não há nenhuma explicação normal para como ela fez isso.

5. Num mundo onde as pessoas estão mais céticas quanto a fenômenos sobrenaturais, todas acabam concluindo por si mesmas que tais acontecimentos não passam de invenções ou distúrbios mentais. Qual a maior barreira que você encontra, depois de todos esses anos, para manter o Poltergeist de Enfield como um caso autêntico?

As pessoas são céticas até que algo aconteça a elas! Alguns casos reportados certamente não são verdadeiros – as pessoas confundem barulhos normais com “assombrações”, ou fazem estes barulhos elas mesmas. Eu nunca tive muita dificuldade em reconhecer um caso genuíno – as famílias afetadas ficam extremamente assustadas assim como as pessoas de Enfield, que chegaram a mudar de quarto e dormir com a luz acesa por várias semanas.

6. Quais os critérios utilizados hoje em dia para avaliar a veracidade de um caso de poltergeist, antes de aceitar trabalhar em sua investigação, sabendo que é possível fraudar imagens e vídeos com muita facilidade?

Agora podemos gravar os sons e avaliá-los com um analisador de sinal que compara as ondas de som da gravação com ruídos perfeitamente naturais (como bater palmas ou gerar algum outro som de percussão). Meu colega Barrie Colvin examinou outros sons de dez casos de poltergeist, incluindo exemplos de Enfield e Ipiranga que eu mesmo gravei com outros sons feitos pelo meu colega Suzuko Hashizume, e a diferença entre eles é inconfundível em todos os casos. Barrie publicou os resultados de sua análise no Journal of the Society for Psychical Research (abril de 2010) e enviamos cópias para cerca de trinta veículos de comunicação. Apenas dois deles mencionaram o trabalho, os demais o ignoraram completamente.

7. Você acha que é impossível manter um caso genuíno de poltergeist sob total sigilo por tanto tempo no período atual, onde pessoas buscam curiosidades e tem acesso a filmagens e troca de informações instantaneamente?

Sim. Já me deparei com diversos casos que nunca foram reportados porque as testemunhas temiam reações hostis, especialmente se forem cientistas, que deveriam estar estudando essas coisas ao invés de ignorá-las. É por isso que o progresso na pesquisa psíquica tem sido tão lento.

8. Você testemunhou algum evento sobrenatural e que nunca mais conseguiu esquecer?

Eu presenciei todo tipo de coisas estranhas quando eu estava na casa de Uri Geller trabalhando em um livro que escrevemos juntos (The Geller Effect). Eu não vou esquecer nada daquilo. 

9. A história de Enfield já foi adaptada várias vezes para televisão e para o cinema, qual sua opinião sobre o tratamento que a ficção deu para a história? Acredita que o sensacionalismo com o qual filmes de terror “baseados em fatos reais” exploram o sobrenatural contribui para o ceticismo nas pessoas ao julgar relatos como 1977: Enfield?

Sim. A série de TV da Sky, The Enfield Haunting, foi dividida em três partes e diz ter se baseado em meu livro. Em um debate público com o produtor, perguntei por que ele havia deixado de lado todos os melhores incidentes relatados no livro. Sua resposta foi surpreendentemente honesta: “ninguém acreditaria neles”. Ele também admitiu que era muito mais importante que a série “parecesse boa” do que mostrasse o que realmente aconteceu.  Esse é o problema com a TV – está sempre tentando melhorar a vida real.

10. Você tem uma ligação bastante íntima com o Brasil, chegando até a escrever sobre Chico Xavier. Chegou a receber algum conselho dele?

Não, e espero que isso signifique que ele não achou que eu precisasse de algum! O Chico me inspira muito.

11. O que mais te impressionou no Chico Xavier?

A óbvia sinceridade e devoção dele ao trabalho que fazia – e pelo qual nunca cobrou nada.

12. Como você explica a capacidade de ele psicografar mensagens de espíritos para suas famílias em sessões públicas semanais? O intercâmbio com os mortos é mesmo possível?

Eu não consigo explicar e duvido que alguém consiga. Eu achei super difícil escrever doze livros, e não consigo imaginar como eu escreveria quinhentos, assim como ele (ou a mão dele) fez. E eu jamais poderia escrever algo com a qualidade literária de Parnaso de Além Túmulo ou de qualquer outra obra do Chico.

13. Você está envolvido ou acompanha alguma pesquisa paranormal atualmente?

Chega de poltergeists – eles são muito cansativos. No momento eu estou mais interessado em gêmeos e suas experiências de telepatia, que nunca ninguém pesquisou adequadamente.

SORTEIO EM PARCERIA COM A DARKSIDE BOOKS:

A Darkside Books em parceria com o Skull Geek está apoiando o sorteio de 1 exemplar de 1977 – Enfield.
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Keyla Kercya

Apaixonada por fantasia,terror e quadrinhos. Tem uma crush pelo Batman, Nightwing,Bluebird e Harley Quinn. Gótica assumida que ama Unicórnios!