” I powered up the transporter and said a silent prayer.”

A autora americana Nnedi Okorafor vem desde 2001 recebendo inúmeros prêmios e indicações por ser contos e novelas. No entanto, foi através de Binti, vencedor dos prêmios HugoNebula de 2016 que a colocou de vez  no meio do panteão dos grandes autores de ficção científica. Com Binti, a autora nos apresenta uma Africa futurista e tecnológica e  direciona um pouco da história de povos africanos para as mãos dos leitores que amam um bom enredo de força, garra e viagens intergalácticas. 

Capa do livro

Binti é uma adolescente negra e brilhante matemática. Curiosa e  amante do conhecimento. Ela vive com os seus pais em uma tribo africana do povo Himba. Os himbas são hábeis construtores de astrolábios e exímios matemáticos. No entanto são fechados na sua própria cultura e tradições. 

” Now the weight of my entire life was pressing on my shoulders. I was defying the most traditional part of myself for the first time in my entire life.”

Tudo muda, quando Binti é selecionada para estudar em uma universidade em outro planeta.  O convívio familiar fica abalado e Binti se vê dividida entre as tradições do seu povo e seu amor pelo conhecimento. Até que tudo é revirado por uma grande ameaça  vinda de fora. 

“My father didn’t believe in war. He said war was evil, but if it came he would revel in it like sand in a storm. Then he’d say a little prayer to the Seven to keep war away and the another prayer to seal his word.”

Confesso que eu não estava esperando nada desse pequeno livro e  fui surpreendida positivamente. Binti é de uma sensibilidade ímpar, ao tratar de racismo, negritude, papel da mulher, identidade, poder, tradição e família, tudo isso em menos de 100 páginas. 

Nnedi através dos himbas e de Binti, consegue tecer em poucas palavras o que é julgar de forma errônea e preconceituosa os costumes e a cultura de um povo. Esclarecendo que muitas vezes, nosso preconceito está enraizado na ignorância, ao levarmos em conta que tudo o que for fora dos moldes “padrões” é errado e necessita ficar à margem. 

No entanto, Binti não fica ligado apenas a preconceito de raça. Nnedi aborda questões como ter uma vida diferente daquela a qual estamos ligados por laços familiares. Binti, ao sair do lugar-comum em que sua família e seu povo se encontram, dá razão a sua voz ao escolher por si mesma, caminhar e desbravar o universo. Construção de identidade e de pertencimento são um ponto importante na narrativa. 

Outro ponto relevante, é a inserção de uma cultura real. Por ser uma novela afrofuturista ela consegue unir  elementos de ficção científica, realismo mágico tudo isso junto aliado à história africana. Binti, é uma adolescente himba, e os himbas  são um grupo étnico que vivem ao Sul da Angola, na região de Cunene. As mulheres himbas são conhecidas por serem vermelhas. Isso se deve ao uso de uma pasta chamada otjize, composta de gordura e ocre. As mulheres usam a otjize no corpo, cabelo e rosto. Nnedi retrata a importância de tais costumes em sua narrativa. 

Mulher Himba

O livro não é só uma narrativa científica, tudo isso está aliado a um suspense que consegue prender o leitor até o último momento. Para leitores iniciantes no gênero, é um livro de fácil compreensão e sem tantos “pew pew pew.” Uma vez que ele aborda o crescimento e desenvolvimento moral e social dos personagens. Me lembra muito a narrativa da também autora de ficção científica Becky Chambers, em “A Longa Viagem a um pequeno planeta hostil” (Ed. Darkside Books, 352p.).

” I was looking ahead toward my future and i was laughing because it was so bright.”

Minha única queixa é o tamanho da novela. Poderia ser melhor desenvolvido se Nnedi tivesse nos dado mais páginas. Assim teríamos como nos aprofundar na psique de Binti e nas questões sociais em que ele está inserida. O final acaba sendo um pouco corrido e confuso,mas não é ruim, eu realmente só queria continuar dentro da narrativa. O que me deixa feliz é saber que possui continuação, então talvez tudo isso seja melhor explorado.

No entanto, é inegável a beleza, agilidade e diversidade da narrativa. Ao abordar questões do nosso cotidiano, o livro consegue trazer uma discussão atual e necessária para jovens leitores e aos mais experientes. É uma leitura bem “fora da caixa” e diferente dos padrões mais clássicos da ficção científica. 

Apesar de curto, Binti faz parte de uma trilogia que será encerrada em 2018. Pretendo continuar a trilogia e  conhecer mais sobre a Binti e seu universo. E que esse pequeno, porém significativo livro possa ser lançado no Brasil. É esperar e torcer. Mas, a dica é válida e recomendadíssima. Não foi por nada que recebeu os melhores prêmios de ficção científica. 

Binti Trilogia

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Binti Book Cover Binti
Binti #1
Nnedi Okorafor
Ficção Científica; Realismo Mágico, Afrofuturismo, Horror
Tor. com
2015
98

Her name is Binti, and she is the first of the Himba people ever to be offered a place at Oomza University, the finest institution of higher learning in the galaxy. But to accept the offer will mean giving up her place in her family to travel between the stars among strangers who do not share her ways or respect her customs.

Knowledge comes at a cost, one that Binti is willing to pay, but her journey will not be easy. The world she seeks to enter has long warred with the Meduse, an alien race that has become the stuff of nightmares. Oomza University has wronged the Meduse, and Binti's stellar travel will bring her within their deadly reach.

If Binti hopes to survive the legacy of a war not of her making, she will need both the the gifts of her people and the wisdom enshrined within the University, itself — but first she has to make it there, alive.

PRAISE FOR BINTI

"Binti is a supreme read about a sexy, edgy Afropolitan in space! It's a wondrous combination of extra-terrestrial adventure and age-old African diplomacy. Unforgettable!" — Wanuri Kahiu, award-winning Kenyan film director of Punzi and From a Whisper

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Keyla Kercya

Apaixonada por fantasia,terror e quadrinhos. Tem uma crush pelo Batman, Nightwing,Bluebird e Harley Quinn. Gótica assumida que ama Unicórnios!