Talvez seja um sintoma claro de ilusão literária, mas para os leitores que acompanham fielmente as editoras e blogueiros que conversam e compartilham notícias, críticas e lançamentos frequentemente, já devem ter notado uma corrente que converge diretamente para a disseminação, criando um enfoque que aponta diretamente para o universo geek dos quadrinhos. Talvez seja cedo demais para dizer, mas esse mesmo universo geek parece caminhar se não bem, então um pouco melhor que o de romances. Mais pessoas se interessam diariamente pelas HQs e se arriscam a lê-las, ou comentam, indicam que finalmente se sentem atraídas por essa arte. E isso é fantástico!

Seguindo a mesma lógica, não é segredo que uma das editoras que mais está se sobressaindo com o seu trabalho excepcional de curadoria, design editorial e marketing digital é a Pipoca & Nanquim, tocada basicamente por três pessoas apaixonadas pelo ramo: Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes. Sendo assim, tão logo foi anunciada a pré-venda de “Os Mitos de Cthulhu”, não pensei duas vezes e fiz a minha reserva. E não poderia ter sido melhor essa leitura! A seguir eu comento 4 bons motivos para que você também dê uma chance para essa HQ!

Trecho da HQ lançada pela Pipoca & Nanquim
  1. ADAPTANDO OS CONTOS DE LOVECRAFT

Um dos grandes motivos que me fizeram adquirir essa HQ foi justamente por se tratar de uma adaptação para o universo dos quadrinhos das histórias de horror de um dos grandes mestres da literatura de ficção clássica: H. P. Lovecraft, o cavalheiro de Providence. Deixando de lado as já sabidas ressalvas quanto à figura de Lovecraft, é inegável a sua influência e relevância para a contemporaneidade. Responsável por mitos aterrorizantes, eu não poderia perder a chance de ver de perto como Esteban Maroto imaginara o universo de horror desses mitos.

2. CONHECENDO ESTEBAN MAROTO

Em Os Mitos de Cthulhu, Maroto não faz a sua primeira passagem pelo Brasil. Após anos de esquecimento, a editora Pipoca & Nanquim resgata os trabalhos de um dos maiores mestres dos quadrinhos P&B, primeiramente com Espadas & Bruxas, seguido do aclamadíssimo Cinco por Infinito, e, finalmente agora por Os Mitos de Cthulhu, uma das obras mais bem realizadas da editora e do autor.

A arte de Maroto é um caso digno de nota e terá mais destaque logo abaixo, mas registra-se: se você, caro leitor, ainda não conheceu a mente fantástica de Esteban Maroto, guarde a experiência para que seja conferida com Os Mitos de Cthulhu, cujo roteiro se funde a uma arte excepcional.

3. UMA PORTA DE ENTRADA PARA O UNIVERSO DAS HQs E PARA OS O HORROR CÓSMICO LOVECRAFTIANO

Se por um lado essa HQ configura-se como uma boa maneira de se conhecer Maroto, o mesmo pode ser dito quanto ao primeiro contato com o universo das HQs, no geral, e quanto à experiência com as histórias sobrenaturais de H. P. Lovecraft.

Talvez a escrita de Lovecraft, em um primeiro contato, mostre-se um tanto quanto indigesta, ou adjetivada demais. Então, é justamente pela experiência com as histórias em quadrinho que o leitor poderá realmente submergir nas tramas. Algumas criaturas, alguns mitos e horrores de Lovecraft se traduzem de maneira semelhante, descritas de maneira obtusa, pouco clara, logo, a visão de quadrinistas tão importantes quanto Maroto poderá tornar a leitura de grandes clássicos uma viagem bem mais agradável.

4. A ARTE EM PRETO E BRANCO

A arte de Esteban Maroto é um show à parte. Versando com notável habilidade das artes em P&B, o autor constrói cenários impressionantes, dá luz às criaturas cósmicas dos mitos de Cthulhu, sem as deixar caricatas, respeitando, inclusive, o texto original de Lovecraft.

Trecho da HQ lançada pela Pipoca & Nanquim

Ao escolher justamente o P&B, Maroto produz quadros que se identificam com os mitos lovecraftianos. É impossível não se impressionar com o jogo de quadros, o letramento e com as personagens.

Aos que não leram, fica a recomendação!

Os mitos de Cthulhu Book Cover Os mitos de Cthulhu
Esteban Maroto
Horror
Pipoca & Nanquim
2019
Físico

Os portais do nosso mundo foram abertos para que os terrores cósmicos nos invadam! E agora a humanidade se encontra indefesa e à mercê de toda sorte de criaturas pavorosas que se originaram nos pesadelos, dimensões alternativas e abismos sombrios que existem secretamente neste e em outros mundos. Em Os Mitos de Cthulhu, somos apresentados a três dos contos mais celebrados do mestre do horror do século XX, H.P. Lovecraft, transformados em histórias em quadrinhos pelo incomparável artista espanhol Esteban Maroto (Cinco por Infinito, Espadas e Bruxas)! Desta união inominável, os clássicos A Cidade Sem Nome, O Cerimonial e O Chamado de Cthulhu ganharam novos contornos para assombrar ainda mais a nossa existência mortal. Mesmo que mais de oitenta anos tenham se passado após sua morte, Lovecraft continua inigualável no gênero do horror, influenciando autores modernos como Alan Moore, Neil Gaiman e Stephen King; por sua vez, ao adaptar em imagens os textos de Lovecraft, Maroto prova de forma incontestável que tem um traço vigoroso e impressionantemente atemporal. Por quase 40 anos, esta obra ficou praticamente perdida e envolta em casualidades dos mais diversos tipos, com suas histórias sendo publicadas de maneira fragmentada por diferentes editoras estrangeiras e sem o devido apreço, mas agora, finalmente, ela foi resgatada e chega ao Brasil em uma edição definitiva e repleta de extras, com 92 páginas, capa dura e miolo em papel couché de alta gramatura.

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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