Emily Carrol é uma importante quadrinista canadense contemporânea, dona de uma série de quadrinhos curtos publicados em seu site e em diversas antologias. Graças ao seu trabalho de estreia, Floresta dos Medos debuta brilhantemente com prêmios de peso, tais como o desejado Eisner e o British Fantasy Award.

Pelas mãos da amada Caveirinha, Darkside Books, os leitores podem aguardar um lançamento primoroso, produzido com todo o carinho e, claro, no padrão de qualidade da editora, já amplamente conhecido pelo público.

Então, por que ler esse quadrinho? A seguir eu te apresento bons sustos, digo, bons tópicos para que você decida se deve se jogar nessa história.

SUSTO N° 1: QUANDO O MACABRO VESTE O GÓTICO E O VITORIANO

Uma das coisas mais interessantes nesse quadrinho é a habilidade de Carrol em tecer suas histórias com um mesmo fio na cor do gótico e vitoriano. Com temas diversos, a ambientação segue com ares próximos do macabro, ponto curioso que gera não os sustos gratuitos tão convencionais do cinema, mas promove a germinação de um medo que se enraíza e devora o emocional pouco a pouco.

SUSTO N° 2: CINCO HISTÓRIAS E UM POUCO MAIS

Em seu álbum de estreia, a autora entrega aos seus calorosos fãs uma coletânea de 5 histórias recheadas de suspense, que versam desde os perigos de ficar sozinho em casa, em noite de nevasca, até as estranhezas de se conhecer pela primeira vez a noiva de seu irmão mais velho, após um tempo solitário no internato. O sobrenatural conversa surpreendentemente bem com as mitologias cotidianas, os medos sorrateiros de ser, de fato, humano.

Ah, sim, além das cinco histórias assustadoras, Floresta dos Medos conta com uma historinha curta chamada Uma Introdução, que traduz sombriamente a posição de ser leitor. Por fim, há também uma Conclusão, que resgata o teor macabro das histórias de Era uma vez.

Foto por Dhiego Morais

SUSTO N° 3: ARTE QUE HIPNOTIZA

Emily Carrol é uma quadrinista experiente e sabe bem como desenvolver sua arte para que aproveite da melhor maneira do que o roteiro deseja transparecer. Sendo assim, o leitor de Floresta dos Medos deverá encontrar ilustrações cartunescas bastante expressivas, que abusam dos tons mais escuros e dos sombreados para personificar o gótico e o macabro. O letreiramento invade quadrinhos e se distorce e se contorce com frequência, tal como um sussurro ou um murmúrio do além. Não é difícil mergulhar de cabeça na história com uma combinação tão agradável.

SUSTO N° 4: SENSAÇÕES ESTRANHAS

O medo nas histórias de Floresta dos Medos é bastante subjetivo e até mesmo imagético. O risco da dúvida, do “e se isso fosse verdade ou realmente acontecesse” alimenta os motores da mente que trabalham para desestabilizar o subconsciente. Carrol sabe bem como ilustrar seus contos de terror e entende que o susto e o medo não são resultado de cenas grotescas ou de um banho de sangue, mas sim da capacidade de promover, de estimular sensações estranhas naquele que lê, naquele visualiza. A incapacidade de explicar os motivos de tais medos, assim como a furtuidade desses acontecimentos somente agrega no resultado esperado: a germinação de uma verdadeira floresta de medos no coração e na mente do leitor.

Não são sustos para que você pule do sofá ou pare de balançar os pés na cama. Em Floresta dos Medos, cada cantinho pode acomodar uma série de pesadelos; cada olhar, um desejo de assassinato. Se estiver preparado, entre na floresta. No fim, talvez você volte ileso.

Floresta dos Medos Book Cover Floresta dos Medos
Emily Carrol
Terror
Darkside Books
21.03.2019
Físico - HQ
208

Uma garota empunha uma lamparina para vencer os contornos da escuridão. Ali perto, uma floresta. Calada e fantasmagórica, repleta de coisas estranhas. Criaturas misteriosas, sussurros velados, medos inomináveis. Pense naquilo que faz seu sangue correr depressa pelas veias. Uma voz sem corpo? Uma visão fantasmagórica? Ou, quem sabe, a possibilidade de viver algo sobrenatural? Aguarde na penumbra e fale baixo. A DarkSide Books convida você para um passeio pela floresta cheia de rostos pálidos e mãos geladas da premiada ilustradora Emily Carroll. Mas tome cuidado: assim como nos contos de fada, nem tudo que habita seus arredores é aquilo que parece ser. De uma coisa nós temos certeza: as cinco histórias de Floresta dos Medos dão frio na espinha. Nelas, a quadrinista canadense — ganhadora de um prêmio Eisner, um dos mais importantes do universo dos quadrinhos — explora o medo subjetivo e imagético, composto de sensações estranhas que raramente conseguimos explicar. Não espere sustos que farão você pular; aqui, olhares de relance para os cantos do quarto serão muito mais comuns. Será que você está realmente sozinho em casa? O texto de Emily Carroll é poderoso e poético, e suas ilustrações, carregadas de tons sombrios e avermelhados. Seu trabalho elegante evoca o etéreo dos contos dos irmãos Grimm, o extraordinário de Neil Gaiman, o gótico de Edgar Allan Poe e, principalmente, o realismo mágico de Angela Carter. E, assim como os grandes mestres, incita o leitor a enfrentar seus próprios medos e fraquezas. Você também ouviu uma batida à porta? Os medos, aqui, são diversos. Três irmãs que ficam sozinhas em casa e, uma por vez, desaparecem. O fantasma de uma mulher que aguarda vingança. Um homem que sempre viveu à sombra de seu irmão decide assassiná-lo. Uma garota e sua amiga médium exploram a dor e o luto dos outros em um golpe elaborado. E, por fim, uma menina visita seu irmão casado apenas para descobrir um segredo terrível e visceral. O lançamento do selo DarkSide Graphic Novel chega para os darksiders em uma edição de colecionador tão bela que cai perfeitamente bem com uma leitura em voz alta, em uma noite de tempestade repleta de ventos uivantes. Floresta dos Medos é uma compilação de vislumbres, dúvidas e pesadelos. Tudo em suas páginas grita para ficarmos longe, mas, de algum modo assombrosamente delicioso, ficar longe é impossível. A única solução é embarcar nesta jornada conosco. E verdade seja dita: Chapeuzinho Vermelho teve sorte por só ter encontrado o Lobo Mau na floresta. Entre as árvores e clareiras, existe algo muito, muito pior.

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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