Talvez não seja novidade a essa altura de que eu sou fã – um pouquinho – de Stephen King. Então, quando soube do lançamento da graphic novel que adapta um dos contos mais aclamados do autor, claro que fiquei bastante interessado. Depois de ter conferido a fantástica união de Darkside Books, Marvel e Stephen King, uma questão voltou a minha cabeça. Sempre me perguntam “por onde começar a ler King”, e só agora me veio uma rota alternativa: por que não por uma HQ?

Sendo assim, achei interessante – ao contrário de uma resenha comum – trazer um artigo mais leve com uns bons motivos para convencer você, queridx leitorx, a ler N. Vem comigo!

1. É Stephen King em quadrinhos!

Sabe aquela fama de que Stephen King é prolixo e de que escreve quase sempre uns tijolinhos? É basicamente verdade. Tirando alguns romances mais curtos como ‘Salem; O Iluminado; Carrie, a Estranha; Joyland e Mr. Mercedes, por exemplo, temos pela frente bons calhamaços como IT, A Dança da Morte  e Belas Adormecidas. Então, se você é aquele tipo de pessoa que ainda não criou coragem suficiente para encarar as obras grandinhas do autor, se arrisque por N., e depois encare o livro de contos que é berço desse conto magistral, Ao Cair da Noite. Quer coisa melhor que uma história em quadrinhos atormentadora?

2. É um dos contos mais aclamados do autor!

Se você pedir a um leitor veterano das obras de Stephen King para que ele escolha os seus contos preferidos, muito provavelmente N. estará nessa lista. Inédito até antes de sua publicação em Ao Cair da Noite, antologia que reuniu outras histórias anteriormente veiculadas em outras mídias, o conto galgou um status de hype considerado, sendo promovido conjuntamente pela HQ e por uma série de mobisódios.

Foto por @odhiegomorais

3. A história combina o horror psicológico com o sobrenatural

Aqui nós conhecemos a história do paciente N., que relata ao psiquiatra, Dr. John Bonsaint, uma aparente crise de TOC, o Transtorno Obsessivo Compulsivo, desenvolvido logo depois de ter tido contato com as pedras do círculo de Ackerman’s Field, um lugar remoto e bastante sombrio que encontrou em suas desventuras como fotógrafo amador. Seriam sete pedras ou oito? Número ímpar é bem ruim, mas números pares são poderosos. Convicto de que há um mal inominável preso no círculo, cabe a sua contínua tarefa de contar e organizar em números certos a chave para impedir que aquilo escape. Mas seria tudo isso sobrenatural ou apenas fruto da mente fragmentada de N.?

4. Tem as mãos de Marc Guggenheim e Alex Maleev!

Para os fãs de quadrinhos, esta graphic novel combina os esforços de nomes importantes deste universo. O roteiro é de Marc Guggenheim, conhecido por seus trabalhos com Wolverine e Homem-Aranha, que aceitou a proposta ao ouvir duas palavrinhas mágicas: Stephen King. Do outro lado temos Alex Maleev (Homem-Aranha e Demolidor), que aceitou produzir a adaptação em fotorrealismo, cedendo sua arte singular em troca de “umas boas férias dos super-heróis”.

5. Inspiração clássica!

Embora Stephen King bata insistentemente na tecla de que N. não tenha qualquer relação com o mito lovecraftiano de Cthullu, é bastante difícil não estabelecer essa relação se você já teve algum tipo de contato com os contos de H. P. Lovecraft e com o conto obsessivo-compulsivo de Stephen King. Mas, em respeito ao mestre (e que Cthun não ponha seu olho sobre nós), vamos dizer que King se inspirou no conto de Arthur Machen, The Great God Pan.

6. Medo sorrateiro e contagioso!

A trama de N. é tão bem desenvolvida que a sensação de medo não vem como uma explosão cinematográfica barata, mas é literalmente sorrateira e se enraíza aos poucos no coração e na mente do leitor. O tema que gira em torno do TOC por contagens e organizações é capaz de afetar inclusive quem lê. Lembra que números ímpares são ruins e números pares são bons? Essa frase mesmo tem setenta e oito palavras. Um número muito bom.

Foto por @odhiegomorais

7. Versão expandida e final diferente do original!

Algumas pessoas não gostam quando em uma adaptação os produtores mudam trechos ou reduzem passagens da história. Em N., o próprio Stephen King, diretor criativo e produtor executivo da graphic novel aprovou a expansão que o conto teve, inclusive no seu final. A ideia da Marvel era justamente trazer uma experiência nova ao leitor e ao telespectador do mobisodio, ao invés de somente adaptar trecho a trecho, sem muita identidade de Maleev ou Guggenheim. Embora o final aqui não agrade a tantos, eu achei um tiro muito bom e que nos deixa com a mesma “pulga atrás da orelha” com a trama.

8. Sete motivos não são bons, mas oito é o número certo!

E se você curtir conhecer Stephen King por uma história em quadrinhos lembre-se de que há também a antologia Creepshow, que reserva ao leitor histórias horripilantes que vão de dívidas de bolos, a medo de baratas e uma pedra que cai no céu – com mais algumas consequências. Terminamos por aqui, então. Oitocentas e quarenta e duas palavras. Mais um número bom.

N Book Cover N
Stephen King
Terror
Darkside Books
20.12.2018
HQ
128

Este é o décimo quinto título da linha Darkside Graphic Novel, mas o personagem N. não ia gostar nada disso, porque, em sua paranoia, ele prefere os números pares. Ele gostaria, porém, de saber que N. é a segunda obra em quadrinhos de Stephen King publicada pela Caveira depois do clássico Creepshow, primeira hq escrita pelo autor, em parceria com Bernie Wrightson e publicada em 2017. N. é uma história pesada. Logo no começo, o leitor sabe que o dr. Bonsaint, um psicanalista, se suicidou e que sua irmã tenta entender os motivos que o levaram a essa atitude extrema. Dedicada a explorar os medos, as inseguranças e as obsessões dos personagens, a história avança por meio de documentos e relatos de Bonsaint, bem como das sessões de análise com N., um homem que sofre de grave problema de toc (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) e não consegue parar de procurar padrões em tudo que cruza o seu caminho. Aos poucos, os leitores vão se familiarizando com as origens do problema de Bonsaint e de N., conforme a obsessão do protagonista por uma formação de pedras no estilo de Stonehenge se aprofunda e o leva a um misterioso caminho sem volta. De forte e clara referência à atmosfera lovecraftiana, o conto é, segundo o próprio Stephen King, inspirado na novela O Grande Deus Pan, do escritor galês Arthur Machen (1863- 1947). Em uma espiral de ação psicológica que desafia a própria razão, o roteiro de Marc Guggenheim (que já escreveu X-Men, filmes, games e séries de tv) adapta a atmosfera sombria do conto de King, enquanto a arte de Alex Maleev (Demolidor e Mulher-Aranha) incorpora as misteriosas palavras do rei do terror. Considerado um dos melhores contos de Stephen King, a sua adaptação para os quadrinhos impressiona pela mesma capacidade de criar pesadelos em seus leitores. E depois da bem-sucedida empreitada nos quadrinhos, o conto vai virar série de tv. O projeto, intitulado 8, foi anunciado pela Gaumont tv, com direção de David F. Sandberg (Quando as Luzes se Apagam e Annabelle 2: A Criação do Mal) e roteiro de Andrew Barrer e Gabe Ferrari (Homem-Formiga e a Vespa). Stephen King está mais presente na DarkSide Books do que nunca. N. faz companhia a Creepshow — a em parceria com Bernie Wrightson —, e à celebrada biografia do rei do terror, Coração Assombrado, escrita por Lisa Rogak. O coração dark bate mais forte. Stephen King é o rei. Já escreveu mais de cinquenta livros — quantos deles você já leu?

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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