Amizade, coragem e esperança. Esse é o alicerce que Clare Vanderpool usou para escrever o seu sensível Em algum lugar nas estrelas. Lançamento de 2016 da Darkside Books.

O livro conta a história de Jackie Baker. Após a morte inesperada de sua mãe, Jackie tem que se mudar para um colégio interno no Maine, pois seu pai, um militar que passou boa parte da vida de Jackie fora de casa em missões, não sabe muito bem o que fazer com o filho e encontrou no colégio uma maneira de “estar perto” de Jackie. Chegando lá, Jackie conhece na praia um garoto que estava tentando isolar o oceano. Pouco tempo depois, as aulas começam, Jackie tenta se enturmar e conhece a identidade do garoto da praia, Early Auden, um garoto com Asperger, que acredita que o PI é um numero infinito e que parte com a ajuda de Jackie em uma grande aventura.

“Sabia que Early Auden não podia isolar o oceano. Porém, o mais estranho dos garotos me salvou de ser arrastado.”

O livro é de uma beleza e cadencia que me deixaram maravilhada. Jackie é um garoto sofrendo pelo luto da mãe e com uma mudança de vida, amigos, escola muito grande. Atrelado a isso, está o fato dele não conhecer bem o pai, que por conta de ser um militar, e o livro se passa ali na época da 2° Guerra Mundial, não teve muita chance de ver o filho nos últimos quatro anos. Por isso, existe um afastamento entre pai e filho, o que faz com que Jackie sofra ainda mais com a ausência da mãe. Ele é tímido, introvertido e isso o faz se aproximar do peculiar e adorável Early.

Early é um garoto que tem Síndrome de Asperger. Isso coloca uma nova perspectiva a narrativa. Pois apesar de ser narrada pelo Jackie, vemos através dos olhos dele como o mundo do Early é. Ou seja, no final, nós somos o Jackie conhecendo esse mundo do Early.

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Eu amei os dois personagens e a forma como a amizade deles e de como o Jackie passa a entender o quão incrível o Early é, que me deixou apaixonada pelo livro. Early é um daqueles personagens que você ama para sempre. Ele separa as gomas de ursinhos de acordo com seu estado de humor, ouve músicas de cantores em determinados dias, mas se chover sempre será Billie Holiday. E ele conta uma das historias paralelas mais legais que já li, sobre como o PI se perdeu e precisa se encontrando. É justamente, por conta disso que a narrativa se desenvolve.

“Ela cantava sobre querer a lua e suplicar às estrelas. Era uma canção de sonhos e nostalgia.”

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O mundo de Early, a forma como ele vê as coisas, é cheio de cor, sons, texturas. E principalmente conexão. Foi algo que mais amei quando cheguei ao final do livro. Tanto Jackie como Early veem que todos nós de alguma maneira estamos ligados uns aos outros como as constelações que estão no céu. Isso nos torna próximos. Manter laços, encontrar amizades, amores, conexões seria bem mais fácil se pudéssemos ter isso em mente. Afinal, é isso que estamos fazendo enquanto vivos, criando e formando laços e conexões uns com os outros.

“Ligar os pontos. Minha mãe dizia que olhar as estrelas tinha a ver com isso. “Lá em cima é como aqui em baixo, Jackie. Você precisa procurar as coisas que nos conectam. Encontrar os jeitos com que nossos caminhos se cruzam, nossas vidas se interceptam e nossos corações se encontram. ””

Eu gostei muito do livro. Ele é leve, simples, bem escrito e muito tocante. Me envolvi com os dois personagens principais, e entendo o mundo de cada um. Jackie aprende muito com o Early, isso é bom, pois mostra que em algum lugar, talvez estejamos na mesma situação que ele, e possamos nos conectar com os nossos Earlys mais facilmente. É um livro lindo.

A edição do livro é da Darkside, e sem dúvida é um dos livros mais bonitos deles e da minha estante. Tem uma folha de guarda maravilhosa. Só amor.

A Darkside também disponibilizou uma playlist maravilhosa pra acompanhar o livro. Eu super recomendo ler e ouvir. Torna a leitura ainda mais maravilhosa.

lombada

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Em algum lugar nas Estrelas Book Cover Em algum lugar nas Estrelas
Clare Vanderpool
Romance, Ficção
Darkside Books
2016
272

EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS é um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença. Pelo menos é desse jeito que as coisas têm acontecido para Jack Baker. A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas ele não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai... bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden.

Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número PI como se lesse uma odisseia. Mas, por trás de sua genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor.

Obsessivo, Early Auden tem regras específicas sobre que músicas deve ouvir em cada dia da semana: Louis Armstrong às segundas; Sinatra às quartas; Glenn Miller às sextas; Mozart aos domingos e Billie Holiday sempre que estiver chovendo. Seu comportamento é um dos muitos indícios da síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo que só seria descoberta muito tempo depois da Segunda Guerra, e que inspirou personagens já clássicos como o Sr. Spock (Star Trek), o Dr. House e Sheldon Cooper (The Big Bang Theory).

Quando chegam as festas de fim de ano, a escola fica vazia. Todos os alunos voltam para casa, para celebrar com suas famílias. Todos, menos Jack e Early. Os dois aproveitam a solidão involuntária e partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache. Nessa grande aventura, vão encontrar piratas, seres fantásticos e até, quem sabe, uma maneira de trazer os mortos de volta ainda que talvez do que Jack mais precise seja aprender a deixá-los em paz.

EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS é uma daquelas grandes histórias que permanecem com você por muito tempo, perfeita para ler entre amigos ou passar de pai para filho. Tudo que é real pode ser uma grande fantasia ou uma coincidência inevitável. Somos muito mais que um simples desejo do acaso. Nossos caminhos vão se cruzar no primeiro semestre de 2016 nesta obra premiada com o Printz Honow Award em 2016, indicada a outra dezena de prêmios e eleita o livro do ano em dezenas de listas preparadas pelos leitores.

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Keyla Kercya

Apaixonada por fantasia,terror e quadrinhos. Tem uma crush pelo Batman, Nightwing,Bluebird e Harley Quinn. Gótica assumida que ama Unicórnios!