Após o sucesso de Moby Dick e de Um Pedaço de Madeira e Aço, era de se esperar que o lançamento neste ano de mais um belíssimo Chabouté pela editora Pipoca e Nanquim também resultasse em outro sucesso. Entretanto, talvez poucos estivessem preparados para a enormidade do fato: após um vazamento pela própria Amazon Brasil, a edição autografada de Solitário esgotou em poucas horas.

É assombroso como Chabouté passou de um nome praticamente desconhecido pelo grande público, no geral, até mesmo ignorado pelas editoras de quadrinhos, para um sucesso absoluto de vendas, dotado de imensa respeitabilidade e desejo, assim como ocorrem no exterior. Assombroso, mas maravilhoso! Obrigado pelos mimos, Chabouté!

Bem, são tantos elogios, então por que você deveria dar uma chance a Solitário, então? Vamos a alguns bons motivos!

  1. A ARTE EM PRETO E BRANCO: CHARME À LÁ CHABOUTÉ

Para quem adora quadrinhos em preto e branco, Solitário segue o padrão já conhecido em Moby Dick e Um Pedaço de Madeira e Aço. O nanquim tinge o papel com toda a fluidez da tinta e resgata aos olhos de seus leitores desejosos um ar não apenas mais sério, mas também soturno, bem adequado à narrativa profunda e imersiva de Chabouté.

Quando comecei a ler quadrinhos, eu era o típico leitor que torcia o bico para obras que não eram coloridas. O preto e o branco no papel na maioria das vezes pareciam desinteressantes, pouco aventureiros. Foram obras impressionantes como as de Chabouté que mudaram completamente os meus gostos.

Trecho da HQ. Fonte: Amazon Brasil.
  • A ARTE DE ESCREVER POUCO E DIZER MUITO

Apesar de Moby Dick conter muito mais balões que as obras em geral de Chabouté – até por ser uma adaptação do romance homônimo –, Solitário segue nos moldes de Um Pedaço de Madeira e Aço: pouco texto que se traduz como muito.

Algumas pessoas podem ler este quadrinho em poucos minutos e ter para si uma experiência incompleta. Talvez até encarem como uma obra desinteressante. A verdade, porém, é que Solitário não precisa de um roteiro extenso para contar o que deseja contar. A arte de Chabouté casa tão bem com o roteiro conciso que quadro a quadro promove a reflexão no leitor. Ao fechar a obra, após a profusão de emoções, toca-se a alma e parte-se o coração. Diz-se muito com tão pouco.


Trecho da HQ. Fonte: Amazon Brasil.
  • A HISTÓRIA DE SOLITÁRIO

Solitário conta a história de um homem que vive recluso em um farol, no meio do mar, desde que se conhece por gente. Sem nunca ter saído de lá, muito menos ter sido visto pelos pescadores e navegantes da região, a história do homem sob o farol torna-se quase um mito. Só não é, de fato, pois semanalmente as caixas com provisões que lá são deixadas desaparecem, sempre que o responsável retorna lá.

O que acontece lá no farol? Como aquele homem vive sozinho, sem ter para onde ir, há tanto tempo?

Solitário é uma metáfora tocante sobre o que faz de nossa sociedade contemporânea tão só, mesmo que sufocada por tantas pessoas e por tanta tecnologia.


Trecho da HQ. Fonte: Amazon Brasil.

Mesmo que ler quadrinhos não seja a sua praia, arrisque ler Solitário. Certamente será uma das melhores experiências literárias deste ano.

Solitário Book Cover Solitário
Volume Único
Chabouté
Drama Ficcional
Pipoca & Nanquim
2019
Físico
380

Mais uma graphic novel do mestre ilustrador e contador de histórias Christophe Chabouté (Moby Dick, Um Pedaço de Madeira e Aço) chega ao Brasil pela editora Pipoca & Nanquim, em um volume único de 380 páginas. Best-seller mundial e uma das obras selecionadas pelo prestigiado Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, sediado na França, Solitário nos apresenta uma história surpreendente e emocionante, em que sonho e vida cotidiana se mesclam com sensibilidade sutil, ternura e humor. Em um pequeno farol numa ilhota afastada do resto do mundo, um eremita experimenta uma vida rodeada de solidão. Morador do lugar desde que nasceu, há 50 anos, a rocha é seu navio de granito; uma embarcação imóvel e segura que não o leva a lugar algum e que jamais chegará a nenhum porto... Afinal, por que sair dali, se o mundo além desse horizonte é tão assustador? Para onde fugir quando não há lugar para ir? Como combater o isolamento e evitar que o silêncio perpétuo se torne ensurdecedor? Anos passados em sua rocha, recebendo comida do mar e tendo a imaginação como única companheira... Até agora. Quando um marinheiro novato começa a trabalhar no barco que toda semana leva provisões para o Solitário, ele passa a fazer perguntas que toda a população dos arredores evitou ao longo de uma vida: quem é esse homem? Por que ele se esconde? Por que nunca saiu do farol? Como é viver com tanta... solidão? Uma simples e pequena atitude será o bastante para dar início a uma sucessão de eventos que golpearão irrevogavelmente a existência serena do ermitão. Repleto de belíssimas ilustrações em preto e branco de tirar o fôlego, Solitário é uma obra-prima de Chabouté — uma história inesquecível que retrata de forma impecável como alguém pode ter sua vida tolhida a ponto de se tornar uma sombra e como uma sombra pode reclamar sua identidade e se tornar alguém.

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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