Chocada, é assim que eu me encontro ao escrever essa resenha após a leitura de “O Menino que desenhava monstros” do autor Keith Donohue, lançamento de junho da Darkside Books.

Primeiro preciso falar que cheguei a esse livro de maneira incerta. Não sabia muito bem o que esperar ou não dele. Daí após a leitura que me arrancou boas lágrimas de “O último adeus”, eu decidi ler um suspense para me animar, afinal, eu adoro ter mini-ataques cardíacos.

“… os sonhos se transformavam em pesadelos, e os monstros debaixo da cama se agitavam na escuridão.”

Pois bem, o livro conta a história de Jack Peter, um garoto de 10 anos, diagnóstico cedo com Síndrome de Asperger, um espectro do autismo. Ele mora com os pais, Tim e Holly Keernan na costa do Maine, (Tudo de estranho acontece no Maine, já notaram?) e possui apenas um único amigo chamado Nick Weller. Peter também sofre de agorafobia, ou seja, ele não consegue sair de casa, ele tem pânico, desde que ele e Nick sofreram um acidente aos sete anos. Após tal acidente a dinâmica familiar dos Keernan mudou drasticamente com o “afastamento” emocional e físico de Jack, e eles tentam de maneira dramática lidar com essa situação.

“As pessoas se afogam no oceano. Os navios batem nos rochedos durante uma tempestade. As pessoas ficam confusas e perdidas no escuro, e elas inspiram a água, e todos se afogam.”

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Tudo estava “normal” na vida dos Keernan até que estranhos acontecimentos surgem. Sons que não podem ser explicados, pegadas que não são encontradas, aparições de estranhas criaturas. Todos parecem notar tais presenças, e ninguém sabe ao certo de onde vem tais horrores, nem mesmo o leitor, o que foi uma grata surpresa.

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Eu amei esse livro. O Keith conseguiu trazer um suspense que deixa qualquer um de cabelo em pé. A construção lenta, por vezes caótica e totalmente desconhecida do medo e de onde e porque ele está vindo é tão intensa que por vezes é como se você pudesse sentir as garras das terríveis criaturas saírem do livro para capturar o leitor. Isso foi o que me deixou mergulhada na narrativa.

“Uma risada de alivio, uma risada para parar o choro, uma risada que ele temia jamais chegar ao fim.”

Mas, não é só de suspense que esse livro é feito. Também vemos ali, pais tentando lidar com a criação de uma criança com uma condição especial que necessita de esforços e amor em dobro, a fim de que o elo familiar não se rompa. Do lado oposto, vemos a família de Nick, os Weller, um casal que após um trauma, se veem envoltos em um vicio alcoólico e são até certo ponto relapsos com o filho. Então conseguimos ver dois núcleos familiares que aparentam ser diferentes, mas no fundo não são, ou seja, são pais que estão aos trancos e barrancos tentando a todo custo criar filhos e lidar com o universo interno e pessoal de cada indivíduo. Foi uma abordagem bonita, pois apesar de toda a parte do suspense, o amor é um ponto forte no livro, principalmente da Holly, mãe do Jack, que sofre muito com o distanciamento físico do filho, e que se preocupa a todo o momento com o bem estar dele.

“Eu trocaria esse sacrifício por uma vida normal para o meu filho. Não há santidade no sofrimento de uma criança.”

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Eu amei o final. Amei o Jack e o Nick, apesar de serem personagens um tanto estranhos e até certo ponto bem macabros. Tanto o Jack quanto o Nick são importantes na narrativa. A amizade deles é um dos pontos principais do livro.

O final é surpreendente. Eu suspeitava em parte durante a leitura do que talvez pudesse ser. Em parte eu acertei, mas isso não quer dizer que o livro seja ruim, muito pelo contrário é brilhante. E a frase que o Jack fala no fim me deixou ver o quanto ele ama e se importa com todos que estão ao seu redor. Lindo!

Não preciso falar da edição, é da Darkside,então não é só lindo é fodásticamente lindo!

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O Menino que desenhava monstros Book Cover O Menino que desenhava monstros
Keith Donohue
Suspense; Thriller
Darskide Books
2016
256

Um livro para fazer você fechar as cortinas e conferir se não há nada embaixo da cama antes de dormir. O Menino que Desenhava Monstros ganhará uma adaptação para os cinemas, dirigida por ninguém menos que James Wan, o diretor de Jogos Mortais e Invocação do Mal.
Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.
Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.
Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.

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Keyla Kercya

Apaixonada por fantasia,terror e quadrinhos. Tem uma crush pelo Batman, Nightwing,Bluebird e Harley Quinn. Gótica assumida que ama Unicórnios!