Até onde você iria para salvar aqueles que você mais ama? Até qual limite você estaria disposto a cruzar para fazer o que é correto? Entre cumprir categoricamente a Lei ou fazer a sua própria justiça e segurança, o que você abdicaria?

Cabo do Medo, livro originalmente lançado em 1957 como The Executioners, por John d. MacDonald é mais um resgate importantíssimo dos grandes clássicos de suspense psicológico das décadas de 50 e 60. Assim como Menina , O Colecionar e O que terá acontecido a Baby Jane, Cabo do Medo entra para o rol de livros que foram adaptados para valiosos clássicos do cinema. No caso do livro de MacDonald, duas vezes adaptado, sendo a mais conhecida aquela dirigida por Martin Scorsese, tendo como protagonista Robert De Niro.

“O mundo está lotado de homenzinhos cheios de si, cheios de autoridadezinhas e sem um pingo de imaginação ou bondade.”

Bastidores de Cabo do Medo, por Scorsese.

Em Cabo do Medo, o leitor viajará pela história da família Bowden. Sam Bowden, o patriarca é um importante homem da lei, bastante relevante na cidade em que reside. Além de possuir uma família aparentemente estável, tão bela quanto a de qualquer comercial de margarina, Sam foi o responsável pela prisão e condenação de Max Cady, um ex-soldado que quando embriagado fora pego em flagrante após tentar violentar uma jovem e ser desacordado por Bowden.

Por cerca de catorze anos o condenado Max Cady nutriu ódio por Sam Bowden, por ter sido preso e por ter perdido tanto de sua vida atrás das grades, pelos anos que perdera junto de sua própria família. A raiva de Cady, um brutamontes dotado de uma mente tão afiada quanto navalha é o que o manteve são por tanto tempo, bem como o que o manteve vivo e com propósito: se vingar de Sam e do toda a família. Cada parte perdida ou destruída pelos anos de detenção deverá ser cobrada de Sam Bowden.

A leitura de Cabo do Medo provou-se ser bastante fluida, capaz de transpor ao papel a sensação de constante vigia, do pressentimento de ser constantemente observado; o medo não do desconhecido, mas justamente do conhecido e da incerteza de quando o golpe virá.

Escrito em terceira pessoa e dotado de poucos capítulos, o livro de John D. Macdonald não preza especificamente pela construção das personagens, mas sim pela ambientação, já que é dela que a sensação de perigo advém. Talvez isso incomode alguns leitores, que não conhecerão tanto a fundo a vida de Max Cady, por exemplo, já que a história não conta com o recurso de flashbacks nem da narrativa pelo ponto de vista do vilão, mas a condução da trama é feita com destreza.

“Eles andam em bandos, azucrinam os mais fracos e mais diferentes, divertem-se imaginando as torturas mais horrendas. É parte da sobrevivência, querida. Em tempos de guerra, nas cidades grandes, eles sobrevivem, enquanto os menorzinhos, mais suavizados pelos bons modos, definham.”

Cenas de Cabo do Medo, de Scorsese.

Cabo do Medo possui todos os ares dos filmes dos anos cinquenta, com a construção das cidades pequenas em intensa transformação, com toda a lógica das interações mais próximas entre as famílias e os demais cidadãos; ares que ao mesmo tempo em que trazem a sensação de aconchego, também conduzem à sensação da falta de privacidade e das intrigas entre os lares.

Violento e surpreendente, Cabo do Medo é um clássico da busca pela vingança de duplo espectro, literário e cinematográfico, uma pedra preciosa bruta que merece o brilho e o destaque de ser lida.

Cabo do Medo Book Cover Cabo do Medo
John D. MacDonald
Suspense
Darkside Books
25.04.2019
224

Violento e visceral, Cabo do Medo foi publicado pela primeira vez nos anos 1950 e deixou leitores atormentados com sua narrativa brutal. Agora, é com muito orgulho que a DarkSide® Books recebe John D. MacDonald e sua obra-prima em nossa casa dos horrores. Até onde você iria para salvar aqueles que mais ama? Por catorze anos, o condenado Max Cady nutriu um ódio por Sam Bowden, um advogado de sucesso que ostenta uma família margarina e que, ao atuar como seu defensor público, pouco fez para evitar que ele fosse parar atrás das grades. Agora um homem livre, Max retorna à sociedade com sangue nos olhos e enlouquecido por uma sede de vingança pelo tempo e família que perdeu. E decide fazer com que toda a família de Sam pague por seu erro. Ícone do suspense, Cabo do Medo foi inspiração para não apenas uma, mas duas adaptações hollywoodianas de peso. A primeira estreou em 1962, com Gregory Peck e Robert Mitchum no elenco. Já a segunda é o remake de 1991, indicado em duas categorias no Oscar e dirigido pelo mestre Martin Scorsese, com Robert DeNiro no papel do ex-presidiário e Nick Nolte como o advogado. Talvez você se lembre da trilha sonora de perfurar os tímpanos ou dos closes de gelar o sangue. Mas o que fascina tanto em Cabo do Medo para justificar suas adaptações? Só lendo o livro e mergulhando na frieza de suas palavras para descobrir. Mas a Caveira dá uma dica: a trama é um thriller do começo ao fim, feita para ser lida em uma noite chuvosa, difícil de largar e mais ainda de esquecer. John D. MacDonald apresenta um angustiante jogo de gato e rato em que as camadas psicológicas da história se entrelaçam com a trama de vingança. Impulsionando seus personagens até o limite, o autor guia o leitor por uma jornada cheia de sentimentos conturbados de hipocrisia, insanidade e fúria. Princípios são traídos e somos confrontados com o questionamento sobre o limite entre o que a lei é capaz de fazer e aquilo que é correto. Martin Scorsese e Robert De Niro são 100% DarkSide, e essa parceria ainda vai trazer muita histórias para os leitores da Caveira. Cabo do Medo chega em uma edição casca grossa, tatuada e em capa dura, no padrão de qualidade quase psicopata da DarkSide® Books. Um livro que aguenta o tranco de uma viagem até os portões do Inferno... ou um passeio de barco.

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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