O gigantesco peixe movia-se em silêncio pelas águas da noite, empurrado pelos toques curtos de sua cauda em formato de meia-lua.”

Tubarão é um daqueles filmes que quase todo mundo que viveu nos anos 90 assistiu em algum momento na Sessão da Tarde. O filme foi o primeiro blockbuster de Steven Spielberg. Como se tornou um clássico, a Darkside Books em 2015 trouxe o romance homônimo de Peter Benchley em uma nova edição e é por isso que ele é nossa resenha de hoje.

O enredo é conhecido. Uma cidade veranista chamada Amity começa a ser assombrada pelo terror que vem de sua principal fonte de economia, o mar. Após um corpo se achado mutilado, começa a busca desenfreada do chefe de policia Martin Brody para salvar a cidade não apenas do Tubarão, mas de cair em um poço de pobreza sem fim.

No filme, existe um foco grande na figura cruel e sanguinária do Tubarão. Ele é cruel, ardiloso e implacável. No romance ele também é tudo isso, mas ao mesmo tempo ele se torna apenas um fator desencadeante dos conflitos econômicos da cidade.

Talvez Peter antes de mostrar seu fascínio pelo animal, quis criticar ferrenhamente todo o sistema por trás da cidade. Por Amity ser uma cidade veranista, sua economia local depende dos turistas que vão passar suas férias de verão lá. Assim, quando o primeiro ataque ocorre, a figura de Brody se torna um alvo não só dos poderosos que comanda a cidade, como da mídia e da população.

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É fácil notar através das histórias paralelas que as pessoas da cidade possuem certo distanciamento do real perigo que correm. Elas preferem ter as praias abertas e com risco de mais mortes, a ter que fecharem suas lojas e perderem dinheiro. Daí vem à dúvida: Quanto vale uma vida em detrimento da economia de todos? A resposta é bem óbvia, e fica mais ainda à medida que você vai lendo o livro.

Eu gostei muito do livro. A narrativa de Peter é leve, fluida e você fica realmente envolvido. Consegue sentir empatia pela maioria dos personagens, principalmente nosso herói Brody.

A relação de ódio dele com o Tubarão me lembraram muito a do Capitão Ahab com Moby Dick. Só que Brody não procura só se livrar do Tubarão, com vingança para salvar sua cidade. Chega um momento de insight entre ele e o Quintt que você nota que ir atrás da besta dos mares chega a ser uma questão de honra maior do que eles. Outro personagem interessante é o Hooper. O entusiasmo pelo trabalho dele, pelo mar e peixes também é contagiante, ele me lembrou o Ismael de Moby Dick.

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A única coisa que não gostei no livro foi uma história que corria paralela com a Ellen Brody, esposa do Martin. Não sei com qual intenção Peter escreveu aquilo. Mas, pra mim poderia não existir. Não influencia em nada no enredo.

Eu realmente recomendo muito o livro para aqueles que como eu, são fãs do filme. Você vai se divertir, ficar apreensivo e ser conquistado pelo Brody. Super recomendado!

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*Livro cedido pela editora em parceria.*

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Tubarão Book Cover Tubarão
Peter Benchley
Terror;Ficção
Darkside Books
2015
320

Devore ou seja devorado. Você não está vendo, mas ele está lá no fundo, observando suas pernas se mexerem nas águas turvas. A mais perfeita máquina assassina da natureza, o predador que mantém seu posto no topo da cadeia alimentar desde a época dos dinossauros. Um torpedo de carne, ossos e dentes. Não há para onde fugir. Se você sempre devorou livros, chegou a hora da revanche. Tubarão é o clássico romance de Peter Benchley que deu origem ao primeiro blockbuster de Steven Spielberg. Mas, mesmo antes do sucesso na telona, o frenesi alimentar de Jaws se transformou num fenômeno de vendas. O best-seller internacional foi o principal responsável em elevar a fera de barbatanas dorsais ao status de perfeita encarnação do mal. Se já existiu um bicho-papão na natureza, ele está dentro d’água. A história se passa em Amity, um balneário ficcional situado em Long Island, Nova York. Quando o corpo de uma turista é encontrado na praia o chefe de polícia Martin Brody ordena o fechamento das praias da região. Mas o prefeito Larry Vaughan, mais preocupado com o dinheiro dos veranistas, consegue abafar a notícia e libera o banho de mar na cidade. O banquete está servido. O impacto dessa obra pop foi tão violento, que gerações passaram a pensar duas vezes antes de cair no mar. O resultado, além das intermináveis semanas do tubarão na TV a cabo, foi a perseguição desenfreada a esses peixes de dentes afiados. Benchley se tornou um ativista contra a matança indiscriminada dos tubarões. Ao completar 40 anos, Tubarão volta às praias brasileiras com aquele toque feroz que só a DarkSide Books consegue dar.

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Keyla Kercya

Feminista, apaixonada por terror, quadrinhos e pelo Steve Carell. Flerto com as trevas e amo unicórnios. Vivo em Mordor.