É fato que estamos vivendo um momento difícil para todos e em todas as formas, tendo em vista a triste situação pandêmica que o mundo atravessa. Talvez você já tenha percebido que algumas editoras estão procurando formas diferentes de driblar tudo isso e continuar lançando os livros tão aguardados e que tantos amamos. De ebooks gratuitos ou promocionais até a substituição temporária das edições físicas pelas digitais. É um momento para experimentarmos e continuar apoiando o trabalho, principalmente das editoras pequenas.

Por isso, o artigo de hoje, amigo(a) leitor(a), é uma tentativa de evidenciar todo o brilho de mais um dos grandes lançamentos de 2020 pela editora Avec e que, não duvidaria muito, aguçará toda essa curiosidade escondida em teu coração. Bora lá?

1. MAIS UMA AUTORA NACIONAL PARA SE CONHECER

Nikelen Witter é mais um entre os autores nacionais que não devemos desgrudar os olhos. Talvez sejam a sua extensa formação em história e seus trabalhos como pesquisadora as ferramentas responsáveis por promover em sua mente uma ebulição de tramas excepcionais, que abraçam em sua maioria a cultura e a historiografia nacional. De todo modo, amigo leitor, Nikelen é autora de vários títulos, entre eles: Guanabara Real, Territórios Invisíveis, Viajantes do Abismo e Dezessete Mortos – todos pela Avec Editora.

Foto de www.miltonribeiro.sul21.com.br

2. UM LIVRO DE CONTOS FANTÁSTICO

Já ouvi de amigos leitores que não gostam de livros de contos por n motivos diferentes. Bem, talvez Dezessete Mortos seja o capaz de mudar essa opinião adversa. Nessa pequena coletânea de histórias (é pequena mesmo, o que faz da leitura ser muito rápida e sem qualquer entrave), a autora apresenta sete contos interessantíssimos, que brincam com o que há de melhor na cultura e na história da região sul do país, resgatando um regionalismo assertivo e natural.

Ainda que elas sugiram um ar de terror assombroso, os sustos de suas histórias não vêm do que é material, do visualmente assustador, mas sim do inquietante e da capacidade de fazer girar mecanismos em nossa mente que até então não imaginávamos existir.

Por fim, os contos desse livro têm os melhores nomes possíveis. Leiam Passando pelo Rincão dos Infernos em direção ao Passo das Enforcadas. É bom demais!

Ilustração de Evandro Bertol para o conto Dezessete Mortos – Flickr

3. A ESCRITA E A VALORIZAÇÃO DO QUE É NACIONAL

Uma das críticas mais comuns à literatura nacional contemporânea diz respeito justamente à ausência de elementos culturais brasileiros, seja pelo cenário da trama, pelas personagens ou pela trama. Em Dezessete Mortos, Nikelen entrega aos leitores uma verdadeira explosão de todos esses elementos, carentes a muitos leitores.

Com personagens deliciosamente cativantes e curiosos, nem um pouco estereotipados, a autora soube bem como atribuir a fala coloquial, os modismos e ditos temporais, compilados certamente de toda sua experiência como profissional da escrita e da História, bem como de sua vivência.

Parte das histórias se concentra em diferentes momentos da história do sul brasileiro, um prato cheio para quem conhece bem essa região e que, aliada à narrativa fluida de Nikelen, torna tudo muito palatável.

Ilustração da capa de “Guanabara Real: a Alcova da Morte”.

4. A TRÍADE DO SUL BRASILEIRO?

Quando falamos de Nikelen Witter, também é um bom momento para conversarmos sobre outros dois autores do sul do Brasil: Enéias Tavares e A. Z. Cordenonsi. A tríade de doutores reúne uma série de livros conhecidos pelo público de fantasia, acumula prêmios e presença em diversos eventos geeks e literários. Como se não bastasse tudo isso, os três autores têm um livro em comum, escrito a seis mãos: Guanabara Real – a Alcova da Morte. Precisa de mais para se convencer a ler?

Foto extraída de mundoepic.com.br

5. A EDIÇÃO DA AVEC

Dezessete Mortos foi lançado primeiramente em formato digital – e é justamente nessa edição que li, em uma parceria com a editora. Embora tenha certeza de que o livro físico ficará incrível (naquele formato padrão da editora, mais curtinho e com papel amarelado de boa gramatura e corpo textual com fonte agradável), devo dizer que o formato ebook ficou bem feito – ou seja, com boa revisão e sem problemas de transição entre as posições de página.

Amazon, me patrocina! Olha esse fundo icônico!

Por hoje é só! Dezessete Mortos é a prova de que uma antologia nacional pode ser tão deliciosa de se ler quanto qualquer romance. Basta que as histórias sejam capazes de conectar leitor e personagem – e Nikelen Witter sabe fazer isso muito bem.

Indicado para quem gostou de: O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera; La dame Chevalier e a Mesa Perdida de Salomão ou Porém Bruxa.

Dezessete Mortos Book Cover Dezessete Mortos
Nikelen Witter
Terror nacional
Avec Editora
2020
Ebook
80

Este parece um livro de contos caído do alforje de um viajante pelos campos do sul, que nele colocou as histórias que ouviu contar. Nele encontramos narrativas que mesclam tradições ancestrais e medos modernos, seja na vingança da mãe inconformada ou na viagem de dois jovens pelo mais estranho dos mapas. Os mitos ganham vida junto a uma família assombrada pela guerra e são totalmente reais nas paixões que uma moça é capaz de causar, na ferocidade de um guerreiro ou no que uma menina consegue ver de sua janela. E ver é tudo o que uma inspetora de polícia não quer. Pelo menos, não da forma como ela vê. Usando cenários diferentes no tempo e no espaço, Nikelen Witter reúne, nessa coletânea, contos que estavam dispersos em outras publicações, mas que aqui formam um todo, uma memória, um sopro numa noite fria... Leia com as luzes acesas.

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.