O ano de 2019 foi com certeza um ano de grandes HQs, principalmente para as editoras que ousaram ainda mais em investir em obras fantásticas. Ao falar nessas editoras, não poderíamos deixar de citar a Darkside Books, com um trabalho de curadoria certeiro. Entre suas graphic novel mais marcantes, Lady Killer, de Joelle Jones se destaca.

Durante a CCXP19 eu pude conhecer a autora da HQ, em sua fila de autógrafos. É claro que eu estava com o volume 1 de Lady Killer em mãos, ansioso por entregar a ela, receber seu carinhoso autógrafo e tirar uma foto. Esperando a minha vez – que pelo tamanho da fila iria demorar –, pude tirar um tempo para observar o tratamento da autora para com os seus fãs, sua reação com os quadrinhos entregues, os pedidos de sketch, enquanto conversava com outros fãs. Diante de todo o respeito e simpatia (além do autógrafo ganhei um pequeno sketch na HQ), atestei para comigo mesmo: como foi bom ter lido sua HQ!, ao passo que percebia que, de fato, já estava ansioso para ler a continuação.

Cover Poster

Após o final bombástico do primeiro volume, Josie, nossa protagonista e assassina de aluguel decide se mudar para a Flórida. A série de imprevistos, perseguições e mortes inesperadas promove um sentimento de independência, de renovação em nossa adorável dona de casa.

Agora que não trabalha mais em uma companhia – a gente pode chamar assim?, bom, delivery de assassinatos não deve pegar muito bem ao público, ein? –, Josie precisa tocar o negócio sozinha. Enquanto se divide entre sua rotina caseira e as vendas de Tupperware – sim, ela vende à domicílio –, nossa protagonista aproveita para tocar independentemente os assassinatos. Discou, matou? É por aí, bicho.

Mas será que é assim tão fácil ser uma assassina de aluguel solitária nos anos 1960?

Já havia curtido muito a ambientação e a história de em Lady Killer: vol. 1. Joelle Jones consegue construir um roteiro consistente, com bom desenvolvimento de personagens, questionamentos pontuais quanto à ética, comportamento e sociedade. Mas neste volume 2, a autora, tendo já estabelecido sua ambientação e os plots essenciais, dá prosseguimento a todo o vapor a uma história que nos rouba o fôlego, enquanto dá mais espaço para o questionamento do papel e lugar da mulher dentro de seu lar e na sociedade, discutindo o reflexo do machismo e o valor da família.

Tudo nesta sequência funciona melhor, desde o entrosamento das personagens, seu comportamento, tendo em vista o ano em que se passa, até o dinamismo da narrativa e das cenas, bem articuladas, desenhadas e colorizadas.

Percebendo as consequências de trabalhar de maneira autônoma, Josie dá o seu melhor, agindo objetivamente, sempre mortal. Os trabalhos são reduzidos, afinal, precisa se estabelecer na nova região, aproximar-se da clientela. A bagunça após a realização da tarefa? Bom, nada que um par de luvas, umas serras e muito produto de limpeza não ajude.

Trecho da HQ

Quando uma figura de seu passado aparece de repente, oferecendo uma proposta tentadora, Josie deverá aprender a confiar em seus instintos ou ceder às mudanças. Enquanto a sua família se manter afastada dessa segunda vida, mais sombria, talvez as coisas sigam bem. Não é?

Para os leitores que se divertiram com o humor mórbido do primeiro volume, Lady Killer: vol. 2 é a prova de que continuações podem ser tão excepcionais quanto suas origens. Josie surge mais madura, enfrentando outros dilemas e as consequências de suas escolhas, promovendo um grande arco para a assassina de aluguel preferida dos leitores. Mais ação, reviravoltas e violência à lá Kill Bill são prometidas aos que seguirem os caminhos de Lady Killer.

Você também pode curtir: Aurora nas sombras; Floresta dos Medos; Alena e Lady Killers.

Lady Killer Book Cover Lady Killer
Lady Killer: Volume 2
Joelle Jones & Michelle Madsen
Suspense. Quadrinhos
Darkside Books
2020
Capa Dura
144

Josie Schuller é uma esposa dedicada, uma mãe amorosa e... uma assassina de aluguel. Capaz de equilibrar os deveres de uma típica dona de casa norte-americana dos anos 1960 com vários assassinatos a sangue-frio, ninguém desconfia que ela leva uma vida dupla. Após as perseguições e imprevistos do primeiro volume, Josie decide se mudar com a família para Cocoa Beach, na Flórida, onde as coisas continuam mais ou menos como era antes: Josie vende Tupperware, cuida da família e vai colecionando alguns cadáveres pelo caminho. A única diferença é que, agora, ela está trabalhando sozinha. Fazer vítimas continua fácil, o problema é cuidar da bagunça depois. Então, quando uma figura do seu passado aparece com uma proposta de parceria, Josie não consegue recusar. Mas há muito mais em jogo do que uma cena do crime sangrenta para limpar… Joëlle Jones continua sua criação matadora que ganhou o coração dos leitores da DarkSide® Books. No segundo e último volume de Lady Killer: Graphic Novel Vol. 2, Jones exibe seu talento e deixa os leitores boquiabertos: seu traço está ainda mais violento, impressionante e expressivo, e a história, cheia de nuances e momentos inesquecíveis. Neste volume, começamos a descortinar o passado de Josie e a entender suas motivações. A relação com sua sogra, que já não era das melhores, ganha novos atritos. Revelações chocantes vêm à tona, e, enquanto isso, o marido de Josie continua sem desconfiar de nada… Sangrento, medonho e brutal, o quadrinho é perfeito para quem devorou o livro da linha Crime Scene, Lady Killers: Assassinas em Série, uma compilação macabra das mulheres mais letais da história. A autora Tori Telfer, aliás, assina uma introdução exclusiva à edição brasileira da graphic novel. Se Josie fosse uma pessoa real, ela com certeza teria sido estudada por Telfer. Bem-humorado e eletrizante, Lady Killer: Graphic Novel Vol. 2 é um daqueles quadrinhos impossíveis de largar. Seguindo o padrão de qualidade quase psicopata da DarkSide®, a graphic novel é mais uma edição ao selo DarkSide® Graphic Novel, que já trouxe títulos como Meu Amigo Dahmer, Creepshow, Aurora nas Sombras e Floresta dos Medos.

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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