Taylor Jenkins Reid talvez possa ser considerada um dos nomes mais relevantes e comentados em 2019, principalmente por dois romances que caíram absolutamente no gosto dos leitores: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones & The Six. Desta vez, em 2020, temos pela Editora Paralela mais um de livro que certamente estará nas apostas de melhores leituras do ano: Amor(es) Verdadeiro(s), lançado primeiramente em e-book e agora em edição física, no capricho de sempre.

Embora eu já conheça os tipos de livros que mais podem me agradar – e aqui nós falamos de fantasia, terror, thriller, ficção histórica e quadrinhos –, volta e meia eu me arrisco a ler outros gêneros, afinal, vivemos em constante transformação, logo nossos gostos também se aprimoram ou simplesmente mudam. Ler Taylor Jenkins Reid já era um desejo desde o ano passado, então, quando recebi uma cópia de seu mais recente livro no Brasil, dei um jeitinho de encaixá-lo nas minhas leituras do meio do ano. Sei que não leio tantos romances românticos quanto poderia, mas os poucos que tive a oportunidade de ler em 2020 se mostraram ótimas escolhas (vide as resenhas de Vermelho, Branco e Sangue Azul e Daqui a Cinco Anos).

“Quando amamos alguém, isso transparece em tudo o que fazemos, transborda em tudo o que dizemos, se torna uma realidade tão palpável que vira uma coisa corriqueira para falar, por mais extraordinário que seja o sentimento por trás das palavras”.

Neste novo romance, os fãs que se apaixonaram por Evelyn Hugo ou Daisy Jones finalmente poderão se reencontrar em mais uma história cativante e arrebatadora. Em Amor(es) Verdadeiro(s), viajamos até a cidade de Acton, Massachusetts (EUA), onde encontramos Emma Blair, uma jovem estudante que deseja mais do que tudo conhecer o mundo fora das páginas dos livros e marcadores disponíveis na livraria da família. Seus pais esperam que as filhas assumam o legado da família, mas Emma tem outros planos.

Entre encontros inesperados e alguns percalços dignos de romances hollywoodianos adolescentes, Emma se apaixona por Jesse Lerner, seu primeiro amor. Jesse também deseja viajar o mundo e não continuar nas competições de natação das quais os pais tanto anseiam vê-lo seguir profissionalmente. Em pouco tempo o romance colegial se torna mais firme e se oficializa com o casamento.

Tudo parece seguir perfeitamente na vida dos pombinhos Lerner. Emma escreve para revistas, viaja o mundo; Jesse faz gravações de programas que desbravam lugares ao redor do mundo. Ambos seguem felizes – pelo menos até que um acidente terrível no Pacífico leve Jesse da vida de Emma.

Esses acontecimentos, embora pareçam spoilers ou pareçam resumir o livro por inteiro apenas contam uma fração mínima de todo o enredo e seus desdobramentos, tecidos habilidosamente pela narrativa deliciosa de Taylor Jenkins Reid. Já nas primeiras páginas sabemos do desastre que vira o mundo de Emma de cabeça para baixo. E ainda nas primeiras páginas sabemos de outra reviravolta surpreendente (ao menos para quem não leu a sinopse do livro): Jesse reaparece poucos anos depois, sim, vivo!

A partir desse plot, acompanhamos a vida de Emma, que nos conta momentos essenciais de seu passado até o seu reencontro com Jesse e, portanto, suas dúvidas e impasses frente aos problemas e dores de um coração partido e em recuperação.

A escrita de Taylor é fantástica; sua narrativa não desgasta o leitor, mas o mantém inteiramente preso ao desenrolar da história. É surpreendente como somos fisgados pelas personagens, tão reais, tão próximas de nós, de nossos próprios problemas e questões amorosas. A natureza realista dos diálogos, dos momentos bem divididos e da moralidade e dos laços postos em cheque fazem de Amor(es) Verdadeiro(s) um ensaio vívido sobre ouvirmos o próprio coração e sobre as oportunidades de sermos felizes mais de uma vez.

Quando Emma perdeu Jesse, precisou de muito tempo para entender as peculiaridades da felicidade e se reencontrar como mulher, tendo que enfrentar o medo e a solidão. De volta para Acton, Emma teve de reaprender a amar a sua origem, enquanto enfrentava o dilema de se manter leal ao amor a Jesse ou se permitir amar e ser amada por outra pessoa.

Seríamos capazes de termos mais de um amor verdadeiro em nossas vidas? Esse é o questionamento que nossa protagonista faz continuamente quando reencontra a figura de Sam Kemper, também da época do Ensino Médio e que uma vez trabalhara na livraria da família Blair.

“É uma ideia assustadora, não? Que qualquer pessoa neste mundo pode perder seu grande amor e viver para amar de novo? Isso significa que a pessoa amada também seria capaz de se apaixonar de novo se perdesse você”.

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Antes que você se pergunte se esta é mais uma história clichê de triângulo amoroso (não que clichês sejam ruins, certo?), já adianto a resposta: não, não é. Amor(es) Verdadeiro(s) entrega ao público uma história emocionante sobre as diferentes formas de se amar, enquanto nos guia, junto da protagonista, por sua jornada de redescoberta, lado a lado de seus dois grande amores.

Mesmo não possuindo um final surpreendente, Taylor Jenkins Reid trabalha a história de maneira tão formidável, nos apresentando a tanto da vida de Emma, Jesse e Sam que torna dificílimo não nos conectarmos a essas personagens. Compreendemos qual o maior dilema de Emma, assim como sentimos qual será a sua decisão, mas a jornada para o fim ocorre de forma tão fluida, tão natural, orgânica, que quando acontece, nós também sentimos o coração se encher de sentimentos.

Escrever sobre o amor verdadeiro e seu caráter finito enquanto dure, talvez inspire aos desacreditados um tema completamente banal. Todavia, Taylor discorre belissimamente, com o conhecimento daquela que sabe do que fala por viver o que escreve. Amor(es) Verdadeiro(s) evoca em nosso próprio coração o desejo primordial de sermos igualmente, profundamente, verdadeiramente, amados por quem também amamos.

Amor(es) Verdadeiro(s) Book Cover Amor(es) Verdadeiro(s)
Taylor Jenkins Reid
Romance Contemporâneo
Paralela
2020
Ebook
352

O que fazer quando a vida te dá dois amores verdadeiros? Quem é o seu verdadeiro amor? O que significa amar de verdade?

Emma Blair casou com seu namorado do colegial, Jesse, quando tinha vinte anos. Juntos, eles construíram uma vida diferente das expectativas de seus pais e das pessoas de sua cidade natal, Massachusetts. Sem perder nenhuma oportunidade de viver novas aventuras, eles viajam o mundo todo, curtindo a vida ao máximo.
Mas, em vez do tradicional "e viveram felizes para sempre", uma tragédia separa os dois, no dia do seu aniversário de um ano de casamento. O helicóptero com o qual Jesse sobrevoava o Pacífico desaparece e, simples assim, o amor da vida de Emma se vai para sempre.
Emma volta para sua cidade natal em uma tentativa de reconstruir a vida e, depois de anos de luto, reencontra um velho amigo, Sam, que lhe mostra ser, sim, possível se apaixonar novamente. E quando os dois ficam noivos? Emma sente que a vida lhe deu uma segunda chance de ser feliz.
Pelo menos é o que parece ― até que Jesse é encontrado. Ele está vivo e tentou voltar para casa, para Emma, todos esses anos que passou desaparecido. Agora, com um marido e um noivo, Emma precisa descobrir quem ela é e o que quer, enquanto tenta proteger todos que ama
Emma sabe que precisa escutar seu coração, ela só não tem certeza se sabe o que ele está querendo dizer.

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.