Após ter lido La Dame Chevalier, eu realmente precisava ler mais alguma coisa envolvendo os Chevaliers de A. Z. Cordenonsi. Há muito tempo eu não sentia essa necessidade de continuar lendo histórias de um mesmo universo literário em sequência – normalmente gosto de dar uma pausa e ler outra coisa. Entretanto, fiquei tão cativado com as personagens, o cenário e a história que o autor desenvolveu que não pude resistir a mais aquele título ali na minha estante. Pois bem, eu li e cá estamos para conversar mais um pouquinho sobre mais essa obra que precisa ser aclamada. Bora lá?

Arte das personagens – galeria de personagens

“Le Chevalier e a Exposição Universal” se passa sessenta anos antes de La Dame Chevalier e a Mesa Perdida de Salomão. Desta vez, nós somos atirados em uma Paris steampunk de 1867 e que se prepara para a realização de sua maior exposição cultural, aberta a todos os países para que também apresentem o que há de melhor e mais curioso em suas nações. A Exposição Universal é a maneira de o Império Francês demonstrar seu poderio e se consolidar como a capital do mundo moderno.

Se por um lado a Exposição Universal, em meio a toda a fumaça, óleo e ferro de uma Europa efervescente é a chance de um encontro global como nunca antes visto, essa também será a melhor oportunidade para os inimigos da França eliminarem figuras poderosas, entre elas o próprio imperador, Napoleão III.

Em uma guerra de sete semanas, a emergente Prússia derrotou a Áustria. O perigo de que os principados e demais terras germânicas finalmente se reúnam em um novo e poderoso império é grande. Os olhos cobiçosos da Prússia vão longe e diretamente para a França e sua Exposição Universal. É aqui que o Bureau convoca o seu melhor agente: o enigmático Le Chevalier.

Le Chevalier é provavelmente um dos cargos mais relevantes e misteriosos do serviço secreto do Império Francês. Aquele que é investido no cargo tem o seu passado eliminado, sua identidade ocultada. Sem passado, não há nome.

Nosso Chevalier é um homem sagaz, de movimentos e mente aguçada. Seja portando espada, pistola ou mecanismos ocultos de defesa, mesmo não sendo querido por todos, suas habilidades para solução dos casos são notáveis e inquestionáveis. Junto ao maior espião da França, encontramos seu drozde corvo – um animal mecânico vinculado ao dono – e seu parceiro, Persa, um legionário robusto e baixinho, mais prático que analítico – e muito divertido, preciso acrescentar.

Um estranho assassinato, incluindo a destruição do drozde intriga o Bureau. Com a Exposição prestes a acontecer, Le Chevalier deverá se manter alerta para os muitos perigos que desembarcarão na França. De espiões estrangeiros a figuras políticas suspeitas.

Arquivo pessoal

Mais uma vez preciso destacar como A. Z. Cordenonsi desenvolve bem a história e suas personagens, entrelaçando fatos históricos de modo natural a sua própria trama. As páginas voam rapidamente, prendendo o leitor até que o livro se encerre com maestria. Embora já tenha tido uma experiência ruim com romance steampunk – fato que me afastou por muitos anos de outros títulos desse gênero –, Le Chevalier se mescla tão bem à história conhecida, trabalhando com fluidez invejável as características steampunk em meio à aventura e ao mistério, que me fez reavaliar o meu gosto pelo tipo.

Por fim, preciso destacar o trabalho fantástico da editora Avec na edição física de Le Chevalier e a Exposição Universal. Com design de capa e diagramação por Marina Ávila e ilustração e arte por Diego Cunha – perfeita! –, além de papel de qualidade, mapa em francês e galeria de arte com as personagens do livro; tudo pensado com muito zelo.

Aos leitores de romances de espionagem, mistério e grandes aventuras, a leitura de Le Chevalier, de Cordenonsi é essencial.

Le Chevalier e a Exposição Universal Book Cover Le Chevalier e a Exposição Universal
Le Chevalier
A. Z. Cordenonsi
Steampunk
Avec Editora
2015
Brochura
173

UM ASSASSINATO! UMA CONSPIRAÇÃO INTERNACIONAL! UM ESPIÃO SEM NOME!

O ano é o de 1867 e Paris prepara-se para celebrar a Exposição Universal, consolidando-se como a capital do mundo moderno! Impulsionada pela tecnologia a vapor do professeur Verne, Paris se tornou o epicentro de uma renovada Europa. Ferro, fumaça e óleo lubrificam o caminho do Império Francês enquanto drozdes mecânicos saltitam entre a multidão.

Mas uma ameaça paira sobre a cabeça de Napoleão! Em uma guerra de apenas sete semanas, a Prússia derrota a Áustria e lança seus olhos cobiçosos sobre a rica e aristocrática França. Dos campos de batalha para os becos sujos da capital, dos jantares nababescos a catacumbas infestadas de ratos, assassinos e chantagistas se espalham no submundo da espionagem internacional.

Mergulhado nas trevas, o Bureau convoca o seu melhor homem. Um espião sem passado. Sem nome. A serviço da sua Majestade, ele é conhecido apenas como: Le Chevalier!

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.