Acredito que como leitores, acabamos vivendo épocas distintas em nossa vida, nas quais, uma hora, encaramos diversas fantasias ou ficções científicas, por exemplo, e, de repente, passamos a ler outro gênero totalmente diferente. Esse sou eu, vivendo uma fase de um romance romântico atrás do outro. Talvez o coração esteja querendo dizer algo ou somente sentir um “quentinho” pelos sentimentos reconfortantes.

Teto para Dois, de Beth O’Leary é mais um dos livros que promoveu intenso rebuliço, um hype bem interessante no finalzinho de 2019 até esse começo de 2020 nas redes sociais de booktubers e bookstagrammers.

Lançado pela editora Intrínseca, Teto para Dois nos apresentará Tiffy, uma jovem que trabalha na Butterfingers Press, uma editora de nicho especializada em livros de artesanato e do tipo “faça você mesmo”. Tendo seu relacionamento com Justin terminado há três meses, ela finalmente decide se mudar para um apartamento seu, longe do caos e das dores do coração partido. O único problema é que Tiffy precisa encontrar um que caiba no seu orçamento estritamente pequeno.

“Talvez a gente só saiba o que sente por alguém depois que ela aceita se casar com outra pessoa”.

Leon é um jovem enfermeiro que passa por uma série de problemas familiares e financeiros, além de ser cobrado frequentemente por Kay, sua namorada, para terem mais tempo juntos. Trabalhando a noite e precisando de uma grana extra, ele decide então sublocar o seu apartamento, tendo em vista que só permanece nele nas manhãs e tardes, ficando, inclusive, os finais de semana vagos, quando vai à casa da namorada.  Mas há um detalhe importante e que torna tudo bem pouco convencional: no apartamento só há uma cama.

Tiffy acaba sabendo da oferta e já que trabalha no período diurno, dificilmente encontraria com Leon. Dividir a cama, por menos usual que pareça, casa perfeitamente com o que pode pagar, além de ser a chance de se afastar definitivamente de Justin e reconstruir sua vida com independência. Por outro lado, para Leon é a sua oportunidade de ganhar dinheiro fácil sem ter que recorrer a Kay – ao logo da leitura descobrimos o porquê dele precisar dessa grana.

O contrato de sublocação válido por seis meses acaba sendo acordado entre Tiffy e Kay e tudo parece caminhar conforme esperado: Tiffy usando o apartamento do final da tarde até o início da manhã e Leon com o período da manhã até meados da tarde. Sem nunca se encontrarem, apesar de dividirem a mesma cama, os dois passam a resolver os pequenos problemas e comentar as trivialidades do dia a dia via post-its, que pouco a pouco passam a se acumular por todo o apartamento.

Ao se utilizar de um meio de comunicação tão simples, Beth O’Leary transforma a narrativa, tornando-a mais fluida e surpreendentemente divertida de acompanhar. Ainda que o encontro cara-a-cara de Tiffy e Leon demore um pouco para acontecer, a forma como tudo se desenvolve até esse ponto e como promove o crescimento das personagens é um ponto fundamental no que torna Teto para Dois tão apaixonante e encantador.

O leitor que se permite mergulhar no romance de O’Leary não encontrará uma história superficial com personagens caricatos ou com uma trama pouco convincente. Muito pelo contrário, em Teto para Dois somos levados por um romance inglês absolutamente contemporâneo, que conversa naturalmente com os problemas que enfrentamos no início da fase adulta, principalmente quando relacionamos mudanças bruscas em nossa vida, orçamentos apertados e as exigências desgastantes do mercado de trabalho.

“Às vezes, a felicidade simplesmente acontece”.

Tiffy e Leon precisarão lidar com os seus próprios problemas que, inesperadamente parecem convergir para a relação curiosa dos dois colegas de cama. De relacionamentos abusivos, ciúmes excessivo-destrutivos e irmãos em apuros até empregos exaustivos e amigos superprotetores, Teto para Dois ainda tem tempo para abordar o florescimento do amor e a busca pela justiça, ressaltando as falhas no sistema judiciário e o racismo institucionalizado.

Escrevendo sobre personagens apaixonantes em circunstâncias curiosas e engraçadas, Beth O’Leary entrega um romance dotado de camadas clássicas de tudo aquilo que funciona bem em um livro contemporâneo. Com uma narrativa agradável do começo ao fim, é fácil fechar o livro com o desejo de poder começá-lo mais uma vez.

Indicado para quem gostou de: Vermelho, Branco e Sangue Azul; Amor(es) Verdadeiro(s) e Daqui a Cinco Anos.

Teto para Dois Book Cover Teto para Dois
Beth O'leary
Comédia Romântica
Intrínseca
2019
Brochura
400

Eles dividem um apartamento com uma cama só. Ele dorme de dia, ela, à noite. Os dois nunca se encontraram, mas estão prestes a descobrir que, para se sentir em casa, às vezes é preciso jogar as regras pela janela.

Três meses após o término do seu relacionamento, Tiffy finalmente sai do apartamento do ex-namorado. Agora ela precisa para ontem de um lugar barato para morar. Contrariando os amigos, ela topa um acordo bastante inusitado.

Leon está enrolado com questões financeiras e tem uma ideia pouco convencional para arranjar dinheiro rápido: sublocar seu apartamento, onde fica apenas no período da manhã e da tarde nos dias úteis, já que passa os finais de semana com a namorada e trabalha como enfermeiro no turno da noite. Só que tem um detalhe importante: o lugar tem apenas uma cama.

Sem nunca terem se encontrado pessoalmente, Leon e Tiffy fecham um contrato de seis meses e passam a resolver as trivialidades do dia a dia por Post-its espalhados pela casa. Mas será que essa solução aparentemente perfeita resiste a um ex-namorado obsessivo, uma namorada ciumenta, um irmão encrencado, dois empregos exigentes e alguns amigos superprotetores?

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Dhiego Morais

Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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Paulistano de nascimento, praiano por consequência. Nerd inveterado, descobriu desde pequeno o conforto dos livros e a habilidade de imergir em seus mundos. De romances a mangás, de literatura fantástica a não ficção, aprendeu com o tempo que basta um cantinho e uma boa história para ser feliz. Fã de Stephen King, de ir ao cinema e comer em um bom restaurante. Não necessariamente nessa ordem.

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